Foto cedida por João Gilberto Milanez
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Implicações dos ciclos da fronteira agrícola à vida na agricultura familiar na Amazônia mato-grossense



Pesquisador(es):


  • Marla Leci Wheis - Pesquisador Responsável
  • Andrezza Alves Spexoto Olival
  • Vincius Teixeira Arantes

Outros pesquisadores:

Carolina Michels Ruedell (UNEMAT, Campus Alta Floresta)
Fernanda Oliveira Silva (IFMT, Campus de Alta Floresta)
Karla Sessin-Dilascio (Instituto Centro de Vida)
Sara Mineli Caioni Cardoso
Anderson de Carvalho Camargo
Francis Junior Araújo Lopes


Instituição:


  • Universidade do Estado de Mato Grosso

Resumo:


  • A agricultura familiar é a segunda principal atividade econômica das fronteiras agrícolas da Amazônia brasileira. Nos 16 municípios que constituem o Território Portal da Amazônia, na região norte de Mato Grosso, a atividade se distribui em cerca de 20 mil estabelecimentos e ocupa 51.301 trabalhadores familiares. Trata-se de uma fronteira agrícola que, embora diversa, vem, aos poucos, construindo uma identidade territorial. A sua história remonta à década de 1970, quando a ocupação agrícola da Amazônia se tornou uma estratégia de integração nacional, promovida pelo governo militar. A maior parte das terras foi destinada à atividade agrícola (cultivo de espécies perenes ou lavouras temporárias) e, como consequência da abertura das florestas, também à exploração florestal. Face às diversas ameaças externas, resistiu e fortaleceu-se o modelo de agricultura familiar que se especializou na produção de gado leiteiro. Hoje, a área desflorestada para dar lugar à agropecuária ultrapassa os 80% do território municipal, como é o caso de Nova Guarita e Terra Nova do Norte. A intensificação da fiscalização ambiental, a partir de 2006, colocou grande parte dos produtores e do mercado consumidor em alerta sobre os riscos econômicos do alto índice de desmatamento e queimadas praticados na região. A problemática insidiou negativamente sobre a economia local afetando, entre outros sistemas, o da agricultura familiar. Mais recentemente, as áreas de pastagem vêm sendo substituídas por lavouras de soja, baseadas em um modelo de produção mecanizado, que absorve grandes áreas e mobiliza grandes quantidades de fertilizantes e agrotóxicos, entre outros. Considerando o conjunto de ameaças à vida no campo, gerado pela descontinuidade da matriz produtiva na fronteira agrícola, associada ao peso da questão ambiental na Amazônia, questionamos: Que elementos têm sido mobilizados pelas famílias de agricultores para se adaptarem às novas realidades? Como as ações empreendidas pelo Terceiro Setor tem afetado esse sistema? O nosso objetivo é compreender como vida no campo (renda, bem-estar e saúde) tem sido afetada pelos ciclos da fronteira agrícola e como as famílias de agricultores têm respondido a estas ameaças. Examinaremos a hipótese de que reage melhor às ameaças externas e, portanto apresenta maior resiliência, a família que se articula melhor com a vizinhança e tem acesso a programas de governo e políticas públicas. A pesquisa será desenvolvida por meio da aplicação de grupos focais e construção de linhas do tempo, incluindo 30 famílias de agricultores dos municípios de Terra Nova do Norte, Nova Guarita e Apiacás.

Arquivo(s) relacionado:



Mapa dos Municípios envolvidos: